Ela não entendia poesia e eu não sabia o que sentia. Parava em frente ao espelho, ficava me olhando e não tinha certeza do que via, quem eu via. Ela não entendia poesia, um monte de frases que as vezes rimava, palavras bonitas conexas, disso ela nada sabia. Ela sabia o que eu sentia porque eu demonstrava, as palavras eram inúteis, ela não entendia poesia, mas ela sentia que tudo que eu fazia era para o bem dela. Atitudes ela entendia, ela confiava. As palavras são vento, não são fiéis, ora estão aqui, ora estão ali, não dá pra confiar. Ela não entendia poesia, mas no fundo sabia o que eu sentia. Hoje, em frente ao espelho eu penso, não sei o que sinto, não sei o que vejo, não sei o que quero ver, talvez agora eu seja vento, não sei, ainda não sei o que sinto, ainda não me achei.
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